segunda-feira, 4 de junho de 2012

O bem que a terapia faz para a pessoa

Deixa eu contar minha história com a terapia, como tudo na minha vida não foi fácil. Eu não acordei num dia ensolarado e disse:  Vou fazer terapia, não, foi bem complicado aceitar que tinha que fazê-lo.
Eu estava comemorando 30 anos de vida e passeando em Foz do Iguaçu/PR, o Daniel na época tinha 3 anos e o Fernando nem existia ainda, eu era muito nervosa e impulsiva, mas não sabia porquê, além de ter sérias dificuldades para dormir, por causa de uma manha normal de criança eu "perdi a cabeça" com o Daniel, daí o Marcos que é um "santo", perdeu a paciência, ele me falou que quando voltássemos de viagem eu iria procurar ajuda, que ele não aguentava mais o meu jeito, senão........., ele não falou, mas eu entendi, a paciência dele tinha um limite, eu tinha esgotado o limite da paciência dele.
Quando voltamos, eu procurei, é claro, como todas as pessoas que são como eu era na época, uma crente super fechada para o mundo, "dona da verdade", com  super auto-estima, não procurei de pronto uma terapeuta, muito menos um psiquiatra, procurei um neurologista, soa bem melhor, ele também é especialista em problemas do sono.
Eu já tinha iniciado o tratamento com ele no ano de 2001, nós estávamos em 2003, ele me falou que eu precisava fazer terapia, como já havia falado antes, por isso eu abandonei o tratamento, eu relutei novamente, mas ele insistiu e me disse que a terapeuta estava na clínica naquele momento, me disse para conversar, só conversar com ela, eu aceitei. Nossa conversa não foi nada amistosa no início, eu estava "armada", mas ela muito experiente foi me desarmando, falando que eu realmente precisava fazer terapia para melhorar meu comportamento. Me lembro bem que disse prá ela que existem dois tipos de mulheres que fazem terapia: mulheres traídas e "dondocas", e eu não me encaixo em nenhuma delas,  daí ela me disse, tudo bem, mas do jeito que você agiu com o seu filho de três anos no impulso, se você não se tratar, você pode matá-lo, e chorar de arrependimento depois, aquilo me tocou fundo, quando fala nos meus filhos, aí me pega mesmo, eu aceitei, relutante, ainda, mas aceitei fazer terapia.
Na primeira vez ela já foi me conhecendo e me descortinando, ela me fez descobrir algo que todos sabiam, menos eu, algo que eu trazia desde a infância e que atrapalhava minha vida toda, não vou falar porque é uma coisa minha, me perdoem. Ela foi me ajudando a me conhecer, depois que ela ganhou minha confiança, ela me apresentou ao psiquiatra, infelizmente, como a maioria dos bipolares fui erroneamente diagnosticada como depressiva, daí teve uns percalços, eu fiquei mal, depois, ninguém explica porque eu fiquei bem sem remédio e sem terapia, mas sentia falta da terapia, sentia falta de compartilhar com alguém o dia a dia.
Como a Bernadete minha primeira terapeuta era de Santos, procurei outra em Itanhaém, em 2009 voltei a fazer terapia, para me ajudar, porque tinha dificuldades de relacionamento no trabalho, mas ainda não sabia que era bipolar, ela me incentivou a procurar novamente o psiquiatra que daí sim me diagnosticou certo e continuo o tratamento até hoje, por motivos particulares eu não continuei o tratamento com a Débora, mas mantenho um bom relacionamento com ela até hoje.
Não dá prá mensurar como a terapia me ajudou a me conhecer melhor e a melhorar como pessoa, com certeza vocês não iriam gostar de conhecer a outra Luciana (kkkkk), os remédios atuam no cérebro, mas a terapia atua no campo emocional, sarando todas as feridas, até aquelas que você pensa que não tem, todos os traumas.
Hoje a minha terapeuta se chama Silvia, é de Mongaguá, vou ao consultório uma vez por semana, e gosto muito, é uma hora só minha,  um dinheiro que não tenho pena de gastar. 
Vou dizer o que o terapeuta não é: ele não é seu parente, não é seu amigo, ele não te dá conselhos. Na verdade a resposta está dentro de nós, ele apenas mostra o caminho para que a gente mesmo o escolha, ele ou ela é uma pessoa imparcial, que estudou muito para estar ali ouvindo com atenção tudo o que a gente diz, e depois faz as considerações, sempre baseadas no que nós falamos, baseado naquilo que ele estudou , no meu caso a respeito da bipolaridade.
Sinceramente, independente de se ter um problema mental ou não, do jeito que o mundo está, eu aconselharia que todos fizessem terapia.
Dedico este post as três terapeutas que me ajudaram e ajudam muito Bernadete, Débora e Silvia.
Beijos a todos e uma ótima semana.